.:Disclaimer:.

Diário pessoal de uma professora recém-formada e admitida. Quem me conhece sabe como foi a luta para realizar meu sonho de lecionar. E agora que ingressei no mundo do magistério, vou contar os meus acertos e tropeços, minhas experiências e impressões.

Sem essa de diário de classe, aqui o diário é outro! Professora: Mode On, o meu Diário de Bordo.
;p Sejam bem vindos ao meu louco mundo!

Quem sou eu? Professora Raquel. Para os alunos "Prô", para os mais íntimos "Xuh", para os amigos "Quel", para a família "Raks", para você que não me conhece, prazer.

.:Visitas:.

.:Riscos no Quadro:.

"Feliz aquele que transmite o que sabe e aprende o que ensina".
Cora Coralina.

"O homem chega à sua maturidade quando encara a vida com a mesma seriedade que uma criança encara uma brincadeira".
Friedrich Nietzsche

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.:Divirta-se:.

.:Criaturas Pedagógicas:.

27 de Fevereiro de 2013.
Tentando acabar com o tempo ocioso de professor substituto, quando não precisa substituir ninguém, eu e a N. decidimos que faríamos uma lembrança para a Páscoa, além do chocolate... Um coelhinho feito de bexiga, farinha de trigo, cartolina e E.V.A.:


Como não foi decidido em reunião, não poderíamos pedir ajuda aos pais, então, precisaríamos da autorização e colaboração de todos os professores. fui de sala em sala apresentando o projeto pascoal das professoras 'reservas' e todas aceitaram na hora. Mas, como toda regra tem sua exceção, uma única professora ficou de pensar. Motivo: doença; Acontece que como ela andava sentindo dores, não sabia se iria pegar licença e, caso pegasse, uma só prof. substituta não daria conta de fazer para todas as salas. (Por isso a imagem feita no paint, e não uma foto do projeto). 
Pois é, adivinhem? Ela pegou mesmo licença, e como eu sou a primeira na escala da substituição, lá fui eu em sua sala.. 28 crianças presentes, dentre elas um menino sem limites, duas que, simplesmente, não falam absolutamente nada (mas só uma delas bagunça, pelo menos) e metade da sala que não responde à chamada. Pudera! Têm 5 anos, alguns ainda nem completaram...
A linha de tempo de sexta-feira não favorece em nada uma substituição. Logo que chegam têm parque, depois o lanche, depois o Mezanino que nada mais é do que um parque interno, depois uma hora e meia de puro "se vira, tia"... e, como se não bastasse, estava sem as chaves dos armários, então qualquer atividade que eu fosse querer dar, resumiria-se em brincar, brincar e brincar.
Como a Lei de Murphy impera em minha vida, não bastava todo esse quadro problemático, um cachorro tinha que invadir a escola e entrar no parquinho. Claro, algumas crianças gritaram, outras entraram em pânico, outras corriam do cachorro, e pior, outras até foram 'atacadas' pelo bichano que só queria brincar e pulava em cima delas. Gelei! Felizmente, nada demais aconteceu e eu conversei bastante com eles para que não chegassem em casa inventando histórias sobre 'o cachorro que me machucou', até porque, o cachorro não machucou ninguém. A bem da verdade é que uma única criança saiu com o joelho ralado do parque, mas não por conta do cachorro, e sim porque correu e caiu.
Dia curioso e inédito.

Últimas palavrinhas da prô:
da prô: E esta foi mais uma passagem da minha vida de professora. Às vezes, acertando, outras errando... E você? O que pensa sobre o que acabei de escrever? Sinta-se a vontade para responder a esta pergunta. Vou esperar por ela. E não se esqueça: Se gostou do meu cantinho, siga o blog, poste no mural e volte sempre!

Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013.
Dia absurdamente calmo. Tão calmo que dava sono. O parque teve seu momento inauguração por leve período de tempo... Ao menos, algumas crianças aproveitaram o parque pouco reformado, mas como ainda precisava de manutenção, foi novamente fechado... até porque quem iria mexer nele, havia acabado de chegar.
Não demorou muito para a coordenadora pedir ajuda à mim e a N. para pegarmos a prateleira desmontada no porta-malas do carro dela e levarmos ao mezanino. Esperamos que a turma que estava lá saísse, e iniciamos a montagem e arrumação da prateleira... Tudo bem, ela é de plástico, mas considerando que todos os brinquedos de lá também são e que, qualquer coisa é melhor que mesas antigas e de bico, conseguimos fazer do Mezanino um lugar lindíssimo! Salvo à pintura das paredes que por conta da chuva, bem... prossigamos, pois nada que uma lixa e uma tinta não resolvam o problema.
Não demorou mais que 15 minutos para prepararmos o local para a outra turma... saímos de lá com a certeza de que todos os brinquedos não estariam mais guardados em seus respectivos lugares mas, ao menos, fizemos nossa parte.
Quando deu meu horário de saída, foi a vez da diretora me pedir alguma coisa. Era para eu ficar na sala da F., porque o L. ainda não havia chegado e demoraria 1 hora para chegar. Ok, iria ganhar para ficar uma hora a mais... Qual não foi minha surpresa quando depois de 10 minutos, ele me deu bom dia, entrando pela porta da sala. Superei a perda da hora extra por falta de comunicação (ou seria comunicação inversa?) e fui embora, esquecendo-me de falar com a vice-diretora sobre minha folha de ponto. Aliás... Nota mental: Preciso ver meu VT com ela.

Últimas palavrinhas da prô:
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Ontem, 21 de Fevereiro de 2013, foi reunião dos representantes do sindicato dos professores. A Professora A. se ausentou para comparecer na reunião e eu assumi a regência do dia. Já havia preparado a atividade do dia:

O objetivo era desenvolver a coordenação motora fina, porque muitas crianças chegaram "cruas" no terceiro estágio (grupo 6). Para isso, as crianças deveriam fazer bolinhas com papel crepom e colar no casco do caracol. A atividade durou 45 minutos (entre colocar o nome, pintar o caracol, fazer bolinhas e colá-las). 
Todos adoraram, mas com olhos de professora, observei algo: Para alguns, ensinei segurar o lápis. Para a grande maioria, até ensinar a fazer bolinhas pequenas, precisei. Somente 12 de 35 crianças completaram a tarefa.
O maior dos problemas, com certeza, foi a quantidade de crianças na sala. Não ligo se a turma vem em peso, afinal, só desta forma você garante que sua turma inteira aprenda o necessário, desde que seja possível realizar o trabalho docente. Trinta e cinco é a quantidade de alunos de uma sala lotada. Para completar, o parque estava interditado e justamente neste dia, a linha do tempo não contemplava outro espaço externo para ir. Foi cansativo para eles e cansativo para mim.

Rosely Sayão: 25/30/35 alunos em uma mesma sala de aula, não faz tanta diferença. Não tem tanta importância... (Rádio Band News- 23/02)

Infelizmente, a análise feita por Roseli Sayão, acerca da desnecessária redução de alunos por sala de aula, peca por não reconhecer que a Educação necessita de dedicação intrapessoal, impossível de se conseguir com 35 alunos por classe, acrescendo-se aí, por vezes, a existência de alunos com necessidades especiais, o que, teoricamente, se chama inclusão. Na verdade, é exclusão não só do próprio aluno, como dos demais, pelo simples fato inicial - existem outras considerações - de que não se integra alguém por imposição, menos ainda, quando não se tem condição de dar atendimento individualizado devido ao excesso de crianças a serem trabalhadas... A autoridade teórica que aponta falhas nos professores, desconsiderando sua experiência, não colabora, em nada, com o desenvolvimento de práticas gestoras que possam gerar novos caminhos diante das dificuldades pelas quais passa o processo educacional, frente a um mundo com demandas tão diversas...  Além disso, em sala com 35 crianças, elas ficam mais agitadas e se, já não consegue dar atenção à todas, que dirá mediar todos os aprendizados, um por um... Alguém, por favor, pode dizer como é possível trabalhar a qualidade do ensino, assim?
A única maneira viável que penso é se tivéssemos assistentes nos ajudando nestas horas. O problema em ser volante, é que quando você pega sala, sabe que só terá uma volante para ajudar todas as outras salas e, se esta estiver com sala, também, minha amiga, é só você para dar um jeito. Coincidentemente, neste dia não foi diferente.
Porém, vejam bem, quando trabalhei como inspetora, mesmo minha função sendo de auxílio nos corredores e também na secretaria, eu sempre ajudei professoras quando elas precisavam... Quando iam usar tinta, minha função era lavar as mãozinhas das crianças, por exemplo. Sei que é uma ajuda boba, mas na correria de sala-de-aula, ela se torna imprescindível!
Esses dias, ainda, ajudei a professora N. do 5A a fazer os carimbos de mãos (passamos tintas guache nas palmas das mãos das crianças e carimbávamos em uma folha de sulfite)... enquanto outra volante ajudava a lavar as mãozinhas delas. Considerando o tempo que eu e a O. ficamos sem fazer nada (fora o tempo em que ficamos cuidando dos intervalos, junto às inspetoras e as agentes, que já demanda certo tempo), é possível ajudar as professoras regentes. O que não dá é ficar de braços cruzados... enquanto tem uma sala que está lotada e que, obviamente, precisa de ajuda. Mas, a orientação é exatamente essa.
Então, não se trata de serem professoras, ou estagiárias, ou inspetoras, mas... assistentes. Qualquer pessoa que pudesse ajudar, auxiliar, dar assistência... já estaria de bom tamanho, e seria um bom começo.

Últimas palavrinhas da prô:
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Alguns podem estar curiosos e se perguntando: "Ué, sumiu?" Na verdade, não. Até queria dizer que estou ocupada demais coletando material para uma nova postagem, mas a bem da verdade, é que não ando fazendo muita coisa além de cuidar do horário do lanche e do almoço e que, já que é pra ser sincera, vou deixar a ideia fluir neste post. 
Estamos no início do ano e as crianças estão começando a se (re)adaptar (alguns pela primeira vez) à rotina escolar, então a U.E. está repleta de "chororôs". É criança birrenta gritando, fazendo escândalo, é criança assustada, é criança que só chora porque o amigo está chorando, é criança que soluça de tanto que já chorou e é um mundaréu de criança chorando porque quer a mãe. Acho uma judiação a legislação não ser favorável aos períodos de adaptação, que em algumas escolas funcionam com horários reduzidos e em outras, com a presença da mãe ou, simplesmente, objetos caseiros que as façam lembrar do lar. Penso que as escolas deviam ter autonomia para tentarem todas as possibilidades nesse processo, independente da opinião contrária vinda de onde vier, porque se quando falamos de educação automaticamente pensamos no bem-estar da criança inserida em um ambiente favorável à estimulação pedagógica, obrigatoriamente devemos pensar em como é para a criança essa primeira separação. É difícil para crianças e, inclusive, para os pais romperem essa relação amniótica, que em palavras menos pedagógicas é a conotação do "cortar o cordão umbilical".
Para facilitar o processo, acredito que preparar a criança com antecedência para a possibilidade de ficar em uma escola e tratar a educação institucional como bônus, não ônus, ajuda bastante. Acho um absurdo quando vejo pais tratando a escola como castigo "caso o filho não faça determinada tarefa". Isso reflete em como a criança se portará na escola, também. Creio que, ao se falar da escola de maneira positiva e entusiasmada, essa imagem é passada de forma positiva para a criança que passa a vê-la assim. A criança que vê a escola como um ambiente de aprendizado, é diferente da que vai para a escola porque lá "tem parquinho". Escola não é depósito, nem parque de diversão.
A primeira reunião de pais é importantíssima por ser o momento em que os professores passam para todos a rotina da escola. Infelizmente, muitos não comparecem e os que assinam a lista de presença nem sempre transmitem ao filho a rotina escolar para que ele já vá se preparando mentalmente e aceitando a escola de maneira positiva e sem chiliques. Ao estabelecer um horário para a retirada da criança, por mais que ela ainda não saiba ver as horas, os pais a preparam para que ela não pense que foi abandonada. Pode até parecer exagero, mas a criança não entende por que está sendo deixada em um lugar desconhecido, longe da presença dos pais, e sem quaisquer explicações de onde é que está. Por isso defendo a importância de os pais explicarem o que é uma escola, qual o horário em que vão voltar para a casa, por que ficar na escola e não em casa, aos pais que trabalham, o porquê de não poderem ficar com eles e qual a importância do trabalho. É essencial dizer que ficar na escola não é ser abandonado, que ficará por poucas horas, até que "tal pessoa" vá buscar em certo horário, que aprenderá muita coisa boa, como escrever o próprio nome, os números, as letrinhas do alfabeto e, principalmente, fazer com que compreenda que a escola é um ambiente que não se precisa ter medo de ficar, porque as professoras estão ali para ensinar, e que além de aprender um montão de coisas novas, vão poder brincar, assistir filmes, mexer no computador... Falo isso porque não custa nada conversar com a criança. Contudo, quem se preocupa já sabe que a criança precisa de tempo para assimilar o novo, pois não são como os adultos. E mesmo os adultos, mães de primeira viagem, sobretudo, precisam dia-após-dia se adaptar com o crescimento de seus pequenos. É claro que a criança vai sentir falta de passar seu tempo com a família, tanto quanto os pais com seu filho, mas o adulto compreende mais fácil esta necessidade, mas isso não impede que a criança seja esclarecida também quanto os novos passos de sua vida.
Pôr em prática essas ferramentas, facilita o trabalho do professor que além de instruir, educa em parceria com a família e daí, por imitação, a criança se apropria de regras e valores de seu entorno social, podendo melhor se desenvolver global e prazerosamente.
É, e mesmo não tendo assunto, até que me admirei com o que saiu da minha cachola... Vivendo e aprendendo!

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Reuniões pedagógicas costumavam significar lavação de roupa suja nas escolas que já passei, mas nesta, em especial, a coisa parece bem diferente. O pessoal leva mais a sério o pedagógico e deixam o que seria a lavação em pensamento. O que era tumultuado, e de certa forma, divertido, passa a ser audição, leitura e sono. Não é por nada, mas reunião tende a ser fadada à chatice.
Começamos por estipular o Projeto Pedagógico demarcando as dificuldades e avanços observados no ano passado, criando desafios e metas, relacionando propostas e estipulando prioridades. Passamos para a organização da unidade escolar, calendário, datas comemorativas e linha do tempo. Seguimos com os informes de horário dos alunos, corpo docente, comunicados internos, chaves, documentação, faltas justificadas, livro de ocorrência, convocações, orientações específicas, bilhetes, agendas, eventos, organização de armários, brinquedos, livros, filmes, estacionamento, preenchimento dos diários de classe, criação de legenda unificada, novo horário das refeições... E, ainda, pauta da reunião de pais (que ocorreu hoje). Enfim, uma completa reunião maçante, dividida em dois dias e 5 folhas de caderno.
É... quem disse que vida de professor é fácil?

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